DECLARAÇÃO DO ARTISTA

ANDREY ROCA

 "A arte não existe para produzir o visível, e sim para tornar visível o que está além" (Paul Klee ).
                                                                            

 

          Por vezes me pego pensando quando tudo começou, se foi no jardim de infância, no gosto de ler histórias em quadrinhos ou quando vi pela primeira vez Noite Estrelada Sobre o Ródano de Vincent Van Gogh. Realmente ainda não consegui definir o momento exato, mas o que realmente tenho certeza é que a arte entrou na minha vida em vários momentos e em cada uma delas de forma diferente, por vezes calma e tranquila, por outras arrebatadora e visceral.

         

          Quando iniciei meus estudos nas artes visuais, entrei com a intenção de chegar o mais próximo que conseguisse ao realismo, após pintar algumas telas senti que isso não preencheria minhas expectativas. Eu precisava pintar mais e de forma mais rápida e tudo isso o realismo e suas tintas à óleo não me permitiam. 

         

          Então fui apresentado a tinta acrílica, pronto casamento perfeito, a partir deste momento comecei a buscar nas cores, linhas e formas a minha maneira de expressar aquilo que estava dentro de mim, deixei o realismo no passado e comecei a dedicar-me aquilo que chamo de Expressionismo Abstrato Fluído.

 

          Minhas pesquisas estão pautadas nos movimentos que nossa sociedade faz no decorrer da história, entre elas, as relações temporais, acredito que tudo segue um padrão cíclico, que tem um começo, meio e fim e que em seguido temos a oportunidade de reescrever nossa trajetória, porém, a humanidade tem caminhado a passos largos para relações menos profundas, por conta disso, acaba causando guerras, fome e desigualdades, isso por consequência, infelizmente nos faz vislumbrar o futuro através de uma perspectiva segregadora e individualista.

          

          Gosto muito de uma reflexão do artista Ty Nathan Clark, ele diz que "Não há como negar que o artista é alguém cheio de perguntas, que as exclama com grande angústia, que descobre as respostas do arco-íris na escuridão e depois corre para a tela ou papel. Um artista é alguém que não pode descansar, que nunca pode descansar enquanto houver uma pessoa que sofra neste mundo. Juntamente com a loucura divina de Platão, há também um descontentamento divino, um desejo de encontrar a melodia nas discórdias do caos, a rima na cacofonia, o sorriso surpreso em tempos de estresse ou tensão".

           

Andrey Roca

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